Entre artesania e poesia, o teatro da delicadeza
Thierry Hancisse, Bakary Sangaré, Jean Chevalier e Véronique Vella Foto: Brigitte Enguerand Eu fui ao teatro. O que pode ter de especial ir ao teatro para quem no próximo dia 26 completa 45 anos como profissional de teatro? Tem que de repente, um vírus nefasto impediu a aglomeração, o encontro presencial, indispensável para que o ato teatral aconteça. A arte da presença se viu condenada ao ostracismo e, como se não bastasse, da noite para o dia descobrimos – por decreto de governos os mais diversos – que não éramos essenciais à sociedade. E foi assim, que por durante longos 643 dias eu não pude ir ao teatro. Durante todo esse período, confinada e reconfinada em Salvador, Bahia, certamente a Comédie-Française foi a minha maior companhia, a única em muitos momentos. A criação de um canal de televisão, a webtélé, com o objetivo primeiro de manter um vínculo com o público da casa de Molière, foi o grande ato de Éric Ruf, administrador geral da mais antiga trupe de teatro em atividade...