70 anos da estréia de Estado de Sítio
Barrault, Balthus e Camus - Estado de Sítio - 1948 Há dias que, em cada brecha de tempo, me debruço sobre Estado de Sítio, peça em três atos de Albert Camus, por dois motivos: o primeiro é abrandar a ansiedade, a proximidade da estreia da montagem de Gabriel Villela mexe com esse ser curioso que sou; agravado pelo tempo de espera, foi em março, durante o Festival de Curitiba que Gabriel me falou que esse seria seu próximo espetáculo. O segundo é que a força das palavras de Camus ao mesmo tempo em que permitem que eu fuja um pouco da angústia desses momentos sombrios que vivemos, me ajudam a compreender melhor o quê se passa, afinal a realidade política daqueles anos do pós-guerra, calcada na força e no medo, tem muitas semelhanças com a nossa: “PESTE: Olhe para mim: eu sou a própria força! DIEGO: Tire o uniforme. Dispa-se. Quando os homens da força tiram o uniforme, não são mais bonitos de se ver! PESTE: Talvez. Mas a força deles é ter inventado o uniforme.”...