UM OLHAR FRANCÊS SOBRE CLARA NUNES, A TAL GUERREIRA
Após assistir três sessões do musical Clara Nunes, a tal guerreira, no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, temporada que marcou a estreia de Emanuelle Araújo no espetáculo assinado por Jorge Farjalla, Irène Kirsch encantou-se com o quê viu. Frequentadora dos mais diversos teatros parisienses, habituada desde a mais tenra idade aos grandes autores, aos grandes atores e aos grandes encenadores, de Antoine Vitez a Mnouchkine, passando por Peter Brook e Patrice Chéreau, conhecedora e apreciadora da música e do teatro brasileiros, por ter morado oito anos no Brasil trabalhando na área cultural, ela escreveu esse belo texto, que resolvi traduzir e compartilhar no meu blog. Para quem ainda não viu é a dica para o mês de agosto, estreia dia 8, na Cidade das Artes Bibi Ferreira e faz curtíssima temporada. Leiam e creiam: é imperdível.
CLARA NUNES, CETTE GUERRIÈRE
Foto: Divulgação
Plus de 40 ans après sa disparition prématurée, au faîte de sa gloire, Clara Nunes (1942-1983) retrouve son public sur les scènes brésiliennes dans la vision de Jorge Farjalla, metteur en scène, talentueux et prolifique.
Tout en maîtrise, Jorge Farjalla recrée l’univers de Clara Nunes, une des plus grandes voix du Brésil. Une réussite qui emporte par son intensité le public et qui mérite de traverser l’océan pour prendre vie sur les scènes françaises.
Porté par 30 artistes, chanteurs, danseurs et musiciens, ce spectacle profondément émouvant propose un voyage dans la trajectoire professionnelle et personnelle de Clara Nunes, première chanteuse brésilienne à vendre plus de 100 000 disques dans les années 70-80. Samba, forro, boléros etc., Clara Nunes aborde divers types musicaux. Avec une trentaine de chansons créées par les plus grands paroliers et compositeurs de l’époque, le spectacle nous plonge dans l’univers musical de Clara Nunes.
Jamais didactique, loin du biopic, le public découvre la personnalité de cette étoile à travers ses émotions, sa découverte des rites afro-brésiliens du candomblé, ses débuts marqués par la tradition familiale au cœur du Minas Gerais, sa détermination à réussir dans des concours de chants ou à la radio, ses amours, sa réussite éclatante, son appétit de vivre, sa curiosité, sa tolérance, et plus que tout sa générosité et son énergie solaire irrésistibles.
Chaque scène allie précision, rythme et émotion, donnant à l’ensemble une fluidité y compris dans les moments de transformation physique de Clara, sur scène du début à la fin du spectacle.
Emanuelle Araujo, pleine de grâce et de douceur, forte aussi, interprète une Clara tout en nuance. Par sa présence, elle irradie sa lumière.
L’amitié entre Bibi Ferreira, actrice super star (magistralement interprétée par Carol Costa) et Clara Nunes déroule un fil rouge, autour duquel se développent les récits de sa vie, portés par le collectif et par chaque artiste, interprètes tour à tour des personnages marquants de son histoire. Vêtus de blanc et de parures de coquillages, toujours en mouvement, dans un décor mobile évoquant l’univers du carnaval, toutes et tous jouent d’un instrument, dansent et chantent, ensemble ou en solo, dans un spectacle total.
Toutes les chansons sont remarquables et magnifiquement interprétées dans des arrangements parfois audacieux. Cette musique d’il y a plus de 40 ans n'a pas pris une ride.
Bref, comédie musicale syncrétique, qui aborde mille thèmes de la vie à travers la personnalité d’une des plus grandes artistes brésiliennes, CLARA NUNES A TAL GUERREIRA, propose un spectacle polysémique, fluide, ouvert, généreux, joyeux, lumineux et éminemment festif.
Quand c’est fini, on a juste envie que ça recommence !
CLARA NUNES, A TAL GUERREIRA
Mais de 40 anos após sua morte prematura, no auge da glória, Clara Nunes (1942-1983) reencontra o público nos palcos brasileiros na visão de Jorge Farjalla, diretor talentoso e prolífico.
Com grande maestria, Jorge Farjalla recria o universo de Clara Nunes, uma das maiores vozes do Brasil. Um sucesso que emociona o público com sua intensidade e que merece atravessar o oceano para ganhar vida nos palcos franceses.
Apresentado por 30 artistas, cantores, dançarinos e músicos, este espetáculo profundamente comovente propõe uma viagem pela trajetória profissional e pessoal de Clara Nunes, a primeira cantora brasileira a vender mais de 100.000 discos nas décadas de 60 e 70. Samba, forró, boleros etc., Clara Nunes aborda diversos tipos musicais. Com cerca de trinta canções criadas pelos maiores letristas e compositores da época, o espetáculo é um mergulha no universo musical de Clara Nunes.
Sem ser didático, longe de ser um espetáculo biográfico, o público descobre a personalidade dessa estrela através de suas emoções, sua descoberta dos rituais afro-brasileiros do candomblé, seus primeiros passos marcados pela tradição familiar no coração de Minas Gerais, sua determinação em ter sucesso em concursos de canto ou no rádio, seus amores, seu sucesso estrondoso, seu apetite pela vida, sua curiosidade, sua tolerância e, acima de tudo, sua generosidade e energia solar irresistíveis.
Cada cena combina precisão, ritmo e emoção, conferindo ao conjunto uma fluidez, mesmo nos momentos de transformação física de Clara, em cena do início ao fim do espetáculo.
Emanuelle Araujo, cheia de graça e doçura, mas também forte, interpreta uma Clara cheia de nuances. Com sua presença, ela irradia sua luz.
A amizade entre Bibi Ferreira, atriz superestrela (magistralmente interpretada por Carol Costa) e Clara Nunes desenrola um fio condutor, em torno do qual se desenvolvem as narrativas de sua vida, levadas pelo coletivo e por cada artista, intérpretes, por sua vez, dos personagens marcantes de sua história. Vestidos de branco e com adornos de conchas, sempre em movimento, em um cenário móvel que evoca o universo do carnaval, todos tocam um instrumento, dançam e cantam, juntos ou solo, em um espetáculo completo.
Todas as canções são notáveis e magnificamente interpretadas em arranjos por vezes ousados. Estas músicas 40 anos depois não envelheceram nada.
Em suma, comédia musical sincrética, que aborda mil temas da vida através da personalidade de uma das maiores artistas brasileiras, CLARA NUNES, A TAL GUERREIRA, propõe um espetáculo polissêmico, fluido, aberto, generoso, alegre, luminoso e eminentemente festivo.
Quando termina, só queremos que recomece!
SERVIÇO CLARA NUNES, A TAL GUERREIRA
CIDADE DAS ARTES BIBI FERREIRA - RIO DE JANEIRO
MINISTÉRIO DA CULTURA
apresenta:
CLARA NUNES - A TAL GUERREIRA
Idealizado por Vanessa da Mata (que protagonizou a primeira temporada), direção e encenação de Jorge Farjalla, e texto de André Magalhães e Jorge Farjalla, Clara Nunes - A Tal Guerreira traz aos palcos aspectos da vida da artista que passam por suas raízes em Minas Gerais; seu encontro com o sincretismo religioso do Brasil (o candomblé, a umbanda e o catolicismo); seus amores; e sua música, que flutua por diversos ritmos brasileiros, inclusive, o samba de sua amada Portela. A trama é toda costurada por intermédio de sua parceira, e amiga confidente, Bibi Ferreira.
A curtíssima temporada acontece na Grande Sala do Complexo Cidade das Artes Bibi Ferreira, de 08 a 31 de agosto, e os ingressos custam a partir de R$ 22,50.
Com estas temporadas, recebeu sete indicações ao Prêmio DID - e ganhou em duas categorias (Atriz Coadjuvante - para Carol Costa, e Musical Brasileiro). Aliás, Emanuelle e Carol repetem uma dobradinha de sucesso, quando protagonizaram juntas o musical Chicago (2022) no Teatro Santander.
Clara Nunes - A Tal Guerreira é um musical apresentado pelo Ministério da Cultura. A realização é da Palco 7 Produções, de Marco Griesi, Solo Entretenimento, de Daniella Griesi e da Sevenx Produções Artísticas, de Felipe Heráclito Lima.
TEMPORADA: de 08 a 31 de agosto de 2025
Sexta-feira – 20h
Sábado – 16h e 20h
Domingo – 15h e 19h
INGRESSOS À VENDA NO SYMPLA : https://bileto.sympla.com.br/event/107385/d/323497
SERVIÇO:
LOCAL: Grande Sala
CLASSIFICAÇÃO: 12 anos
DURAÇÃO: 120 min
Em 2024 e início de 2025, o espetáculo passou duas vezes por São Paulo (Teatro Bravos e Teatro Renault) e uma por Fortaleza (Cineteatro São Luiz). No Teatro Renault, o musical conquistou um marco importante como o primeiro nacional a ser apresentado naquele consagrado palco. Em julho de 2025 esta nova montagem marcou a estreia de Emanuelle Araújo interpretando Clara Nunes, com quatro apresentações na grande sala do Palácio das Artes, em Belo Horizonte.
FICHA TÉCNICA
Foto: Divulgação
Idealização: Vanessa da Mata.
Argumento, Direção e Encenação: Jorge Farjalla.
Dramaturgia: André Magalhães e Jorge Farjalla.
Direção Musical: Fernanda Maia.
Direção de Movimento e Coreografia: Gabriel Malo.
Cenografia: Marco Lima.
Designer de Luz: Cesar Pivetti.
Designer de Som: Bruno Pinho.
Figurino: Luiz Claudio Silva I Apartamento 03 (Clara Nunes) e Jorge Farjalla (Elenco).
Preparador Vocal: Rafa Miranda.
Visagismo: Simone Momo.
Comunicação Visual: Kelson Spalato.
Fotografia: Priscila Prade.
Pesquisa: Zé Pedro.
Produção de Elenco: Giselle Lima. Diretora Residente: Dani Calicchio.
Assistente de Direção: Alice Quintiliano.
Assistente de Direção Musical: Rafa Miranda.
Assistente de Coreografia: Jack Antunes.
Elenco:
Emanuelle Araújo (Clara Nunes), Carol Costa (Bibi Ferreira em Gota D’Água), André Torquato (Aurino), Vitor Vieira (Poeta), Caio (Adelzon), Felipe Adetokunbo (Èsù), Ananza Macedo (Nanã), Leilane Teles (Iansã), Lucas Purificação (Ogum),Fábio Enriquez (Mané Serrador), Paulo Viel (José/Músico), Badu Morais (Ensemble/Cover Clara Nunes), Marisol Marcondes (Ensemble/Cover Bibi Ferreira em Gota D’Água), Jessé Scarpellini (Ensemble/Cover Aurino/Adelzon/Poeta/Músico), Wesley Guimaraes (Ensemble/Cover Ogum), Preta Ferreira (Ensemble/Cover Nanã), Larissa Grajauskas (Ensemble/Cover Iansã), Douglas Mota (Ensemble/Cover Èsù), Flavio Pacato (Ensemble/Cover José), Jade Ito (Ensemble), Elix (Ensemble), Guilherme Gila (Ensemble/ Cover Mané Serrador/Músico), Silvia Lys (Ensemble/Músico), Thiago Brisolla (Ensemble/Músico), Daniel Warschauer (Ensemble/Músico), Ronaldo Gama (Músico), Tavinho Damasceno (Músico) e Matheus Caitano (Músico).





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