Ave Miguel!


No momento Miguel interpreta o milionário Oliver Warbucks em Annie
Foto: Divulgação

Não sei quando ou como começou – mas iniciar esse texto com um verso da única música que Clara Nunes assinou ao lado de Mauricio Tapajós e Paulo César Pinheiro não deve ser um acaso – minha ligação com Miguel Falabella, sei que já lá se vão quase quarenta anos que o vi em cena pela primeira vez, no Teatro da Aliança Francesa da Tijuca, na peça O Despertar da Primavera. Profissionalmente nos encontramos apenas em duas ocasiões: a primeira foi em 1990, logo após o fatídico Plano Collor que afundou o teatro brasileiro. A convite de Ítalo Rossi fiz a assessoria de imprensa da peça Um e Outro, os ensaios aconteciam entre meia-noite e três horas da manhã, único horário disponível na agenda do Miguel, workaholic assumido, que assinava a direção do espetáculo. Ninguém ganhou um tostão, mas colocar Miguel Falabella e Ítalo Rossi no meu currículo de vida, na época minha Academia era a da Cachaça e Lattes para mim era apenas o sobrenome de um físico brasileiro de nome César, e conviver com dois gênios não tinha preço. Hoje sei que não ganhei dinheiro fazendo teatro porque achava um absurdo ser paga para trabalhar com os maiores nomes da cena nacional, coisa de quem sempre esteve ao lado do primeiro escalão, nunca fiz teatro amador, nem teatro universitário, entrei para o teatro pela porta da frente pelas mãos de Sandro Polônio e Maria Della Costa.  
Dois anos depois, em agosto de 1992, a convite de Mercedes Alverga – minha companheira desde Piaf – A Vida de uma estrela da canção – assumi a assessoria de imprensa de um dos maiores sucessos da temporada: Algemas do Ódio, na temporada do Teatro Vanucci. Dirigida por José Wilker, que também estava no palco ao lado de Miguel Falabella e Marisa Orth.  
Mesmo nossos caminhos profissionais tendo se cruzado pouco, sempre fui público fiel de Miguel Falabella, mas sua longa, e bem sucedida, trajetória torna impossível lembrar de todos os momentos marcantes. 
Na televisão guardo carinho especial pelo Miro, do remake de Selva de Pedra. A versão original, escrita por Janete Clair no começo dos anos 70, marcou minha adolescência e o Miro do Carlos Vereza me parecia imbatível. Miguel foi lá e arrasou. Impossível esquecer os anos de Vídeo Show, tal o fascínio que exercia sobre mim a cumplicidade que Miguel estabelecia com o público, tenho certeza que ali ele teceu os laços da história de amor com esse público imenso que o segue desde sempre e que encontro à espera dele nas portas dos teatros por onde se apresenta. 
Como esquecer o Caco Antibes de Sai de Baixo? Cheguei a organizar uma excursão, com minha turma da Aliança Francesa de Santos, para assistir uma gravação no Teatro Procópio Ferreira. Levei meu filho adolescente, de blazer para parecer mais velho, pois a entrada para os menores de 18 anos não era recomendada. Anos depois, já morando em Paris, mandei buscar o DVD para rir em casa quando precisasse gargalhar deliciosamente. A parceria dele com Marisa Orth, a dupla Caco e Magda faz parte do meu imaginário televisivo. Quando comprei meu apartamento no Largo do Arouche, ria sozinha na varanda, lembrando dos episódios do seriado. Até hoje uso expressões como “cala a boca, Magda” e não posso ver um cajuzinho que penso em festa de pobre.
Amo de paixão o humor politicamente incorreto dos personagens do Miguel, amo Caco Antibes de Sai de Baixo, amo Mário Jorge de Toma Lá Dá Cá e, em especial, adoro o Ruço de Pé Na Cova. Miguel diz que suas histórias nascem do papo que bate com o povo nas ruas e nesses papos, ele sente como se depositassem nele uma possibilidade de serem ouvidos. Por isso fiquei tão indignada com a campanha sofrida por ele quando do seriado Sexo e as Nêga.
No teatro as lembranças são muitas, a primeira é o Despertar da Primavera, ao lado de Maria Padilha, Daniel Dantas, Rosane Gofman, Fábio Junqueira, Zezé Polessa e Paulo Reis, é a chegada de uma nova geração de atores a reafirmar a forte presença dos grupos no teatro brasileiro, mas passam por Sereias da Zona Sul, impagável texto dele em parceria com Vicente Pereira, tendo como companheiro de palco Guilherme Karam. Miguel inscreveria seu nome num movimento importantíssimo do teatro brasileiro, que se convencionou chamar de “besteirol”. A partir de então, assinou uma sequência de sucessos de crítica e de público: Louro, Alto, Solteiro, Procura, Falabella Solta os Bichos, Querido Mundo, A Pequena Mártir de Cristo Rei e O Submarino. Não satisfeito Miguel estreia como diretor – com Emily, dirigindo Dame Beatriz Segall – em 1994 e de cara conquista o prêmio Molière de melhor direção e o Mambembe de revelação em direção.
Como esquecer A Partilha? Sucesso por anos e anos, montada em uma dúzia de países e que deu a Miguel um outro Molière, dessa vez de melhor autor. E O Beijo da Mulher Aranha, com Claudia Raia e Tuca Andrada? E o trabalho com Claudia Jimenez em Como Encher um Biquíni Selvagem? E South American Way, Império, A Gaiola das Louca, God e mais recentemente Hebe e Os Produtores? Como não lamentar os espetáculos de Miguel que não vi, entre eles Veneza, My Fair Lady e O Homem de la Mancha

A equipe de O Homem de la Mancha
Foto: Divulgação 

Mas o Miguel que tem me seduzido particularmente nos últimos anos é o Miguel empreendedor. É para esse Miguel que quero hoje, mais do que nunca, tirar o chapéu, e em francês: “chapeau bas, Monsieur Falabella”.
Vivendo no Brasil, país onde segundo recente pesquisa do IPEA (2017) 60% dos brasileiros nunca foram ao teatro e onde os governantes sempre compreenderam política cultural como o ato de delegar aos empresários a responsabilidade dos destinos culturais do país, um homem com Miguel Falabella deveria ser aplaudido de pé. Não apenas por ser o homem de teatro, televisão e cinema que é, mas cada vez mais, diante da situação catastrófica do país, por ser um empreendedor. 
Recentemente, Miguel recebeu da comunidade judaica no Rio de Janeiro, o troféu Aleksander Laks – Homens de Ação, Homens de Valor 2018. Segundo Luiz Mairovitch presidente da Hebraica, a ideia é: “premiar pessoas dos mais diversos segmentos que realmente têm um legado a ser seguido, indivíduos que fazem a diferença na sociedade”. Ou seja, não estou sozinha nessa observação. Tem muita gente sabendo que Miguel é gente que faz. E muito.
Poderia manter-se numa zona de conforto, montando espetáculos solos – como o fez e, eventualmente, faz ainda – com enorme sucesso de público e de crítica, encher o bolso de dinheiro, mas prefere dar vazão a sua alma de empreendedor inquieto e contribuir quase que ininterruptamente para fortalecer a cadeia produtiva das artes cênicas no Brasil garantindo o que o estado tem se demonstrado totalmente incapaz de fazer: empregar atores e técnicos. Ora na televisão. Ora no cinema. Ora no teatro, onde atua na produção com muito mais frequência. E aqui cito algo que, só quem o conhece pode falar, isso não é só empreendedorismo, mas generosidade. Poucos sabem ou se lembram da lista de pessoas ajudadas por Miguel em algum momento, ou em vários momentos de suas vidas, e se essa ânsia por produzir é vital para o artista/criador que ele é na essência, o homem Miguel Falabella vê nessa produção intensa a maneira de, fazendo teatro, ajudar muita gente. E sem fazer a linha Madre Tereza de Calcutá, muito menos a Loura Má como durante muitos anos as línguas ferinas e invejosas se referiam a ele, mas assumindo a sua griffe Miguel Falabella e sabendo usar/investir, não por acaso um de seus “apelidos” é o Midas do teatro brasileiro.
Gosto muito desse lado do Miguel porque de certa forma, numa versão século XXI, ele mantém a tradição do teatro brasileiro de raiz. Reza a lenda que não é nem o estado, nem o capital, muito menos o empresário capitalista quem gera o movimento teatral em nosso país, o verdadeiro motor foi sempre a figura do primeiro ator, como disse Fernanda Montenegro a Tânia Brandão, em entrevista feita em 1987, um ano apenas após a criação da nossa primeira Lei de Incentivo, a Lei Sarney, e que eu repito como um mantra há dez anos nas minhas salas de aula: 

“...eu acho que a tradição do teatro no Brasil é a dos atores se empresarem. Isso vem desde João Caetano, estudado num texto lindo do Décio de Almeida Prado. Está lá, aquele é o teatro brasileiro. (...) É que faz parte da memória teatral brasileira, do ator brasileiro, para ter mercado de trabalho, ele se auto-empresar. (...) Dulcina fez isto, Jaime Costa, Procópio Ferreira, Itália Fausta, Bibi, Eva. O TBC é que é uma exceção...que definiu uma estrutura empresarial. Um louco e rico empresário que quis promover a cultura européia, num mecenato, num processo que não tem nada a ver com a realidade e a herança do teatro brasileiro. Porque na primeira oportunidade vai sair cada um para sua empresa. E abrir aquela linha, continuar essa herança. Isto é a raiz do teatro brasileiro, boa ou má.”.

A escolha pelos musicais é também a visão de um homem que não se nega a acreditar que teatro e mercado podem, e devem caminhar lado a lado. A profissionalização de uma categoria passa por um mercado forte. 
Inegavelmente o mercado de musicais gera empregos, uma única produção pode empregar mais de 200 profissionais diretamente (atores, cantores, bailarinos, contra- regras, camareiras, diretores de cena, coreógrafos, figurinistas, músicos, sonoplastas etc.) e, uma infinidade indiretamente (advogados, costureiras, fisioterapeutas e etc.). No Brasil, nas últimas décadas, isso se refletiu também na formação de toda uma geração de atores com o surgimento de escolas para qualificar e formar profissionais exclusivamente para atender esse gênero. 

A equipe de Os produtores na versão de 2018
Foto: Divulgação 

Quando da estreia de Os Produtores, na versão de 2018, Miguel dizia que muita coisa havia mudado na produção dos musicais, mas algo permanecia igual a estreia de 2007: as dificuldades para se produzir musicais no Brasil, segundo ele isto fica claro quando se pensa na sequência de reestreias de peças de sucesso, como se houvesse um medo de ousar, de apostar em coisas novas. A crise obriga quem produz a apostar naquilo que é sucesso garantido. Não há margem para que se corra riscos com uma produção desse porte. Mas fazia questão de pontuar que hoje a marca "made in Brazil" está bem mais presente: 

"Há dez anos o cenário e a equipe vieram da Argentina, pois não tínhamos como fazer aqui. Isso é fundamental. Dez anos depois é tudo nosso, e a indústria de musicais virou uma realidade. Emprega muita gente. Muitas famílias hoje comem e vivem por causa do teatro musical. Manter o gênero vivo é fundamental."

E ele trabalha para isso. Num determinado momento de 2018 três grandes musicais tinham a sua assinatura: Hebe, Os Produtores e O Homem de la Mancha. 
Miguel sabe a força da presença dos musicais nos palcos do mundo. Em 2013, de acordo com um estudo de Xavier Dupuis e Bertrand Labarre falava-se do volume de negócios com cifras aproximadas entre 60 e 70 milhões de euros no mundo dos musicais na França. Um número não negligenciável, mas muito abaixo dos valores dos EUA, Inglaterra e Alemanha. Muito acima, entretanto, dos números ainda desconhecidos e não avaliados corretamente no Brasil. Dupuis e Labarre demonstram a força dos números nos USA:

“Nos Estados Unidos, durante a temporada 2011-2012, com 12,3 milhões de ingressos vendidos a um preço médio de US$ 95, a receita bruta de bilheteria dos 40 teatros da Broadway League alcançou US$ 1,158 bilhão, dos quais US$ 934 milhões somente para apresentações musicais (excluindo as receitas teatrais - espetáculos não musicais - da Broadway). De 2000 a 2010, a receita total dos teatros na liga aumentou em 53%. Para a semana de 7 a 14 de janeiro de 2013, uma semana tradicionalmente difícil após as comemorações do final do ano, a Broadway faturou US$ 17,8 milhões com 24 espetáculos em cartaz, 192 apresentações e 187.700 espectadores. (...) A liga estima que durante a temporada 2008-2009, a Broadway contribuiu com US$ 11 bilhões para a economia de Nova York e 86.000 empregos, enquanto as turnês geraram um impacto de US $ 3,35 bilhões repartidos entre as cidades que receberam os espetáculos em turnê, quase 3 bilhões e a cidade de Nova York 400 milhões.”.

Elenco de Hebe - O Musical 
Foto: Divulgação

No Brasil estamos longe, muito longe disso. E inúmeras são as críticas ao volume de dinheiro investido nos musicais do eixo Rio x São Paulo. As pessoas esquecem que há público para todos, que há que se trabalhar para conquistá-lo e que sim as leis de incentivo fiscal podem e devem ser usadas para o teatro de divertissement, por que deveríamos punir quem investe no mercado? Por que podemos oferecer subsídios ao agronegócio, à indústria automobilística e deixar de fora os investidores da cultura? Deveríamos sim é querer mais do que nos é oferecido e nos articularmos para que todos pudessem usufruir das leis existentes da mesma maneira, afinal, como disse Júlio César Ferreira, autor do livro Três vinténs para a cultura, em uma entrevista ao site Cultura e Mercado : os incentivos fiscais não alcançaram na cultura o mesmo sucesso que nas indústrias outras, por diversas razões, mas a principal passa pela falta de articulação dos profissionais do setor cultural:

“(...) seria muito cômodo dizer que o problema é a “falta de vontade política”. Esta não é a verdade completa. Não há vontade política que sobrepuje a desarticulação de um setor. Diante da total desarticulação, a boa vontade definha e a má se regozija. Para que os incentivos fiscais à cultura pudessem provocar efeitos em larga escala, num curto espaço de tempo, seria preciso um plano de desenvolvimento nacional e, para que haja o plano, é imprescindível que o setor esteja organizado e empenhado no exercício diuturno de pressão perante os poderes Legislativo e Executivo. (...) O setor cultural enfrenta, portanto, algumas barreiras a serem ultrapassadas: a primeira e mais importante delas é o ajuntamento de forças, pois a cultura, em nenhum lugar do mundo, foi passível de manejo a ponto de se equiparar a outros bens de consumo. Ao contrário dos bens produzidos pela indústria, os bens culturais não são utilitários (como um relógio, uma panela, um carro) e, em última instância, são sempre intangíveis, pois o suporte no qual são expressos (a tela da pintura, o aço da escultura, o papel do livro) não se confunde com o impacto transformador que seu significado proporciona. Antes do desenvolvimento econômico, a cultura propicia desenvolvimento social.”.

Annie, o Musical
Foto: Divulgação

Um dia desses estava quieta trabalhando, preparando uma aula de Produção Teatral, quando o celular anuncia uma mensagem de Miguel, ao abrir foi um susto: uma foto do louro carequinha. Estava pronto para interpretar o milionário Oliver Warbucks. Pergunto se tinha sido uma decisão fácil, ele responde: se Al Finney raspou a cabeça para fazer o filme, por que eu não o faria? 
E desde então estou aqui em Salvador acompanhando os caminhos trilhados por Annie, que eu nem vi no cinema, mas sei hoje que estreou na Broadway em 1977, ganhou seis Tony Awards, incluindo Melhor Musical e transformou-se num fenômeno mundial, tendo sido produzido em mais de 40 países e a história ganhou as telas de cinema três vezes em 1982, 1999 e 2014. 
A montagem brasileira exigiu quatro anos de planejamento, é fiel a montagem da Broadway, ou nas palavras de Miguel: “É um clássico, feito de um jeito clássico”. São 25 números musicais, um orçamento de cerca de R$ 15 milhões e envolve a participação de 210 profissionais, dos quais 21 são crianças. Garanto que vocês não imaginam o tamanho da burocracia a enfrentar para colocar crianças em cena. Por que tantas crianças? Para atender a necessidade de revezamento das sete garotas que habitam o orfanato da Sra. Hannigan. As três meninas escolhidas para viver a protagonista – Luiza Gattai, Maria Clara de Rosis e Sienna Belle – foram descobertas em meio a 3.500 crianças de várias cidades do Brasil e selecionadas por ele, esse misto de mago/workaholic. 
O resultado está desde o dia 30 de agosto no palco do Teatro Santander em São Paulo, Miguel fala com entusiasmos das 23 pessoas em cena, 17 músicos na orquestra, 42 técnicos, e lembra: 8 pessoas na administração, 5 peruqueiros, 5 maquiadores, 12 maquinistas, 8 camareiras...e o público tem comparecido ao rendez-vous.
A paixão de Miguel pela pequena órfã vem desde 1979, quando viu a montagem londrina, e explica, em parte a persistência e os quatro anos investidos para montar o espetáculo no Brasil. Mas linda mesmo é a justificativa simples para a montagem: “Annie é daquelas histórias que encantam pela inocência da protagonista, que nos fazem aprender e nos enchem de esperança e amor.”. Como discordar de Miguel? Quem há de negar que nesse final de 2018 o Brasil esteja precisando de amor e esperança? Que elas nos cheguem por meio do teatro e que aqueçam os corações de quem acredita que, só a arte pode nos salvar da barbárie. Ave Miguel!



Serviço Annie, o musical
Direção e Tradução: Miguel Falabella
Onde: Teatro Santander (av. Juscelino Kubitscheck, 2.041, Itaim Bibi)
Quando: Quintas e sextas às 21h
                 Sábados às 16h30 e 21h
                 Domingos às 15h e 19h
Preços: de R$ 75 a R$ 310
Classificação: Livre
**Crianças: até 2 anos de idade não pagam se ficarem no colo. Acima disto, mesmo recebendo no colo, pagam ingresso (meia entrada).
Duração: 2 horas e 40 minutos (com 15 minutos de intervalo)
Vendas: Bilheteria Local ou Site Ingresso Rápido
Ponto de venda sem taxa de conveniência:
Teatro Santander – Endereço: Complexo do Shopping JK – Av. Prof. Juscelino Kubitschek, 2041 – Itaim Bibi – SP
Horário de funcionamento: domingo a quinta, das 12h às 20h ou até o início do espetáculo / sexta e sábado, das 12h às 22h ou até o início do espetáculo)




Comentários

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

UM OLHAR FRANCÊS SOBRE CLARA NUNES, A TAL GUERREIRA

A MEDEA DE SÊNECA E DE GABRIEL COMO EU VI

O Fantasma da Ópera existe e está em SP