Annie: "o sol brilhará amanhã"
Miguel Falabella e Maria Clara Rosis
Foto: Divulgação
Foram necessários quatro anos para tornar o sonho real, olhando aquelas crianças todas em cena e saber que elas são vinte e uma, compondo três elencos, dá a noção do tamanho da encrenca enfrentada por Miguel Falabella e a empresa produtora de teatro musical Atelier de Cultura para apresentar ao público brasileiro Annie, o musical.
Ao chegar no Teatro Santander o público imagina que vai ver uma superprodução, mas ao sair tem a certeza de que a versão brasileira de Annie, clássica peça americana, inspirada nas tiras do cartunista Harold Gray, dirigida e adaptada por Miguel Falabella, cumpre com excelência a missão de contar a história dessa órfã que espera há 11 anos que os pais venham salvá-la das “garras” da terrível Sra. Hannigan, interpretada magistralmente por Ingrid Guimarães, e que vai encantar um bilionário americano, Oliver Warbucks, interpretado por um Miguel Falabella que emociona nas cenas em que esse homem tão rico quanto solitário, descobre graças à presença de Annie os verdadeiros valores: amizade, compreensão e amor.
A história da pequena órfã seduz, envolve e ao afastar qualquer pessimismo fala diretamente ao coração tornando muito fácil entender a trajetória de sucesso, iniciada na Broadway em 1977, onde ganhou seis Tony Awards, incluindo Melhor Musical. O espetáculo é um fenômeno mundial, produzido em mais de 40 países e a história ganhou as telas de cinema três vezes em 1982, 1999 e 2014. No Brasil, Annie tem 25 números musicais e envolve a participação de 210 profissionais.
Sara Sarres, Maria Clara Rosis e Miguel Falabella
Foto: Divulgação
O texto de Miguel Falabella para o programa do espetáculo merece a sua leitura:
"O sol brilhara amanhã! Aposte o seu último dólar que o sol brilhará amanhai", diz Annie ao Presidente Roosevelt em dado momento da peça. E ela, sem o saber, inspira o chefe da nação a empreender mudanças em sua administração, de modo a tirar o país do atoleiro, dando início às ações que ficaram conhecidas como "new deal". Assim, embora Annie, a personagem saída dos quadrinhos que Harold Gray publicou nos anos vinte e trinta, pareça ser, as vezes, uma versão feminina do grande herói de Dickens, Oliver Twist, ela é em sua essência uma personagem de seu tempo, filha da grande depressão económica norte-americana e portadora das ideias políticas de seu criador. Na transposição para o teatro musical, a personagem ganhou contornos mais suaves, embalada pelas encantadoras melodias de Charles Strouse, e seu viés esperançoso foi realçado aos olhos da plateia, o que em última análise vem determinando seu sucesso desde a estreia em 1977, transformando o espetáculo num clássico incontestável do gênero.
Nessa minha terceira colaboração com o Atelier de Cultura, após A Madrinha Embriagada e O Homem de La Mancha, achamos por bem nos debruçar sobre um clássico de uma maneira clássica, como um exercício de estilo. E temos nos encantado com o talento e profissionalismo dessas jovens atrizes que cotidiana mente vem nos surpreendendo com sua entrega e talento. Annie se alinha com aqueles outros grandes musicais para toda família, onde a felicidade se traduz em boa música e uma história terna, emocionante e engraçada. Afinal, não creio que haja registro de nenhuma outra garota que tenha conseguido fazer com que um republicano e um democrata cantassem no mesmo tom.".
As impressionantes meninas de Annie
Foto: Divulgação
A produção é bem cuidada em todos os sentidos, como se espera de um espetáculo musical, elenco afiado, sente-se o resultado do trabalho, mas destaco o belíssimo cenário e a gerência técnica de produção com mudanças de cenário perfeitas, som impecável, sem uma única microfonia em mais de duas horas de espetáculo, esses “detalhes”, às vezes imperceptíveis aos olhos do grande público, são particularmente fascinantes para uma produtora dinossaura, impressiona e emociona ver o nível alcançado na produção dos musicais no Brasil nos últimos anos.
Mas o que encanta mesmo e é com certeza um dos fatores mais importantes do espetáculo é o elenco infantil, porque seduz e cativa, estabelecendo uma conexão empática quase imediata com o espectador, verdade que existe o auxílio luxuoso de um texto que prende do começo ao fim, mas sem o trabalho feito com essas crianças seria mais difícil manter a atenção do público, e vi muitas e muitas crianças na plateia de um sábado chuvoso à noite, por 2h25. Tiro o chapéu para Miguel Falabella e sua equipe de assistentes pela escolha das meninas, mas acima de tudo, pelo trabalho realizado com elas. Impressionante, mesmo levando em consideração que muitas tenham trajetórias inenarráveis para a pouca idade que têm e uma formação que reforça a minha eterna teoria que sem organização, planejamento e disciplina não se vai longe.
Perguntei a Miguel quanto tempo de ensaio, e ele com aquele ar blasé de um rico e louro dinamarquês: “oito semanas, querida. À l’américaine, pois lá quem não faz em oito semanas não se estabelece.”.
Depois disso fiquei ainda mais impressionada com a Annie de Maria Clara de Rosis – ela reveza com Luiza Gattai e Sienna Belle no papel título – que havia me conquistado desde sua entrada em cena pelo carisma, talento e profissionalismo. E não apenas o dela, as outras seis crianças surpreendem a cada fala/ação, sendo que uma delas, a menor de todas, um toquinho de gente, que atende pelo nome de Maria Clara Bueno, do alto do seus oito anos de idade rouba muitas das cenas, em especial na cena em que cantam Vida Dura Irmão(It's The Hard Knock Life) e ela imita a Senhora Hannigan. E confesso a vocês que encarar Ingrid Guimarães, como essa pequena faz é missão quase impossível, pois Ingrid coloca o público no bolso desde a primeira aparição da sua vilã rabugenta, tornando-o quase cúmplice de suas maldades.
Cenários deslumbrantes e elenco afiado
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Ao sair do belíssimo Teatro Santander, com as baterias recarregadas no plano pessoal e profissional, fui jantar com Miguel e meu filho Pedro, e nesse momento, quando o artista cede lugar ao ser humano, ele me emociona tanto ou mais do que quando está em cena, ouvi-lo falar do seu trabalho é comovente, Miguel mantém intacta a chama infantil de um desejo furioso de felicidade, uma vontade de querer compartilhar a alegria, pois ele tem certeza que ela é contagiosa e o teatro foi a forma que ele encontrou de torná-la acessível a todas as sensibilidades, a todo público. Por isso se você tiver a oportunidade, sugiro mesmo que a provoque, não deixe de se dar esse presente: vá ver Annie. É lindo! Quando o teatro é bom, mesmo em tempos sombrios, o público sai da sala de espetáculos acreditando nos versos de Tomorrow: “o sol brilhará amanhã”. Digam-me quem, nos dias dessa estranha primavera brasileira, não está precisando de um sopro de esperança e otimismo?
Merci mon grand...
De como fazer a roda da economia da cultura girar
Ingrid Guimarães e as meninas que compõem os três elencos de Annie
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Para quem não acredita na força da economia da cultura e se recusa acreditar que em países como a França por exemplo, a cultura renda mais que a indústria automobilística, sugiro a leitura do texto de Vinícius Munhoz e Cleto Baccic, do Atelier de Cultura, extraído do programa de Annie, um balanço do ano de 2018 de deixar qualquer um de queixo caído, os números são excepcionais:
“No final de março, abrimos o ano em São Paulo com uma requintada e vibrante produção de A Noviça Rebelde, um clássico reverenciado por todos. Em junho, levamos às plateias do Rio de Janeiro o premiadíssimo O Homem de La Mancha, que colheu da crítica e do público cariocas o mesmo entusiasmo que lhe foi despendido em São Paulo, nas épicas temporadas de 2014, 2015 e 2017. Em julho, já estávamos com a temporada de A Noviça Rebeldeno Rio, que não via duas superproduções de tamanha complexidade há muito tempo. E em agosto, abrimos a temporada do fenomenal Annieno Teatro Santander, em São Paulo, um musical amado em todo o mundo, apresentando uma das maiores produções jamais realizadas no Brasil.
Produzimos teatro musical para o público brasileiro, entusiasmado com diversas produções, que tem lotado grandes e pequenas casas, trazendo de volta o público para os teatros, movimentando uma cadeia gigante de prestadores de serviços, de fornecedores, gerando contratos e trabalho para milhares de atores, músicos, técnicos especializados e produtores, que fazem florescer a economia criativa no Brasil. Agradecemos aos nossos espectadores, público carinhoso e vibrante, que mantém vivo o fazer cultura no Brasil. Agradecemos, de forma particular, aos nossos patrocinadores, dezenas deles, todas empresas sérias e comprometidas com a Cultura no Brasil.
Um país não constrói sua história sem promover sua cultura. A cultura não tem fronteiras, nem nacionalidade. Inseridos em um mundo global, a troca de experiências, de narrativas, de estilos, de métodos, só pode enriquecer o povo brasileiro. Por estas razões, reconhecer o papel de empresas que investem na Cultura é fundamental. Obrigado a todas as empresas que apoiaram nossos projetos, porque disponibilizaram mais de 327 mil ingressos para que plateias de brasileiros pudessem viver a experiência do teatro, dos quais 98 mil distribuídos gratuitamente e 65 mil oferecidos ao preço do Vale Cultura, dando oportunidade de trabalho a 523 pessoas, em ocupações diretas, e 3.138 pessoas em ocupações indiretas.”
ANNIE, O MUSICAL - SERVIÇO
Ingrid Guimarães, Maria Clara Rosis e Miguel Falabella
Foto: Divulgação
Local: Teatro Santander
Endereço: Av. Presidente Juscelino Kubitschek, 2041 - Itaim Bibi
Temporada: até 16 de Dezembro
Horários: Quinta e Sexta às 21h | Sábado às 16h30 e 21h | Domingo às 15h e 19h
Ingressos:
QUINTAS E SEXTAS
Mesa Vip: R$290,00
Galeria Superior: R$230,00
Frisa Superior: R$220,00
Balcão A: R$170,00
Balcão B: R$75,00
Frisa / Balcão: R$75,00
SÁBADOS E DOMINGOS:
Mesa Vip: R$310,00
Galeria Superior: R$250,00
Frisa Superior: R$240,00
Balcão A: R$210,00
Balcão B: R$75,00
Frisa / Balcão: R$75,00
Vendas: Bilheteria | Online
Horário de funcionamento da bilheteria: Domingo a Quinta: 12h às 20h ou até inicio do espetáculo | Sexta e Sábado: 12h às 22h
Informações: (11)
Duração: 2 horas e 40 minutos (com 15 minutos de intervalo)
Classificação: Livre





Palavras que me fazem querer mais e mais estar na platéia para levar minha neta Giovanna para assistir ANNIE O MUSICAL.
ResponderExcluirParabéns Deolinda França vc como sempre se superando também querida.
E vc Miguel e elenco sem palavras....
👏👏👏👏👏👏👏